Como os sapatos explicam a comunicação hoje

Este é um artigo que pretende discutir um pouco sobre algumas características dos dias de hoje, quando o Google mostra o caminho para sites que ensinam desde como fazer a barba sem se cortar, até como produzir sua própria bomba atômica com alguns cds, uma batata e um microondas.

Primeiro, um clichê: o maior progresso dos dias atuais decorre da democratização do acesso as ferramentas. Ou seja, todos têm à disposição uma gama de possibilidades infinitas, de descobertas e compartilhamentos. Mas não vou falar em termos complicados como web 2.0, social media, social bookmarking e outros palavrões.

Vou falar de sapatos!

Mas para isso, voltemos para tempos longínquos, quando a revolução industrial ainda nem se esboçava na cabeça dos aldeões, cujas preocupações máximas se estendiam ao jantar e às curvas da vizinha. Naqueles tempos, se você precisasse de um sapato, você procuraria Sir Jones Sapateiro, ele esfregaria as mãos em sua longa barba, mediria o seu pé, e dentro de alguns dias lhe entregaria o seu sapato em troca de um dos porcos de sua criação.

O porco virou dinheiro, as curvas da vizinha ficaram mais caras, e surgiram as fábricas, indústrias, lojas e outras grandes invenções cujo propósito maior foi o de levar Sir Jones Sapateiro à falência. Mas eram tempos prósperos, havia sapatos a todos! Aos ricos, à burguesia, e aos não-tão-pobres!

E o quê sapatos têm a ver com comunicação? Calma, ainda chego lá!

Como disse no começo do artigo, o maior progresso dos dias atuais decorre da democr……z z z Z Z Z

Enfim, o famigerado advento da internet!

E todo mundo aprendeu a fazer sapatos! Todas as raças de todos os estilos aprenderam a fabricar os seus próprios sapatos, e não somente, mas também produzir, distribuir, vender, dar, fazer o que quiserem com tantos sapatos! E sapatos e mais sapatos e mais sapatos. Dentro destes, toda a sorte: bons, grandes, azuis, pequenos, ruins.

Com tantos calçados à disposição, acontecem três coisas curiosas:

1- Alguns ótimos novos sapateiros com um pouco de sorte se destacam na multidão.
2- As fábricas não desaparecem. Se você precisa de um sapato, provavelmente vai procurá-lo com quem realmente tem experiência no assunto.
3- Sir Jones Sapateiro, apesar dos 500 anos de idade, volta a fazer sapatos, reaparecido de alguma mistura dos dois itens anteriores. E seus sapatos exclusivos passam a custar uma fortuna!

Chega de sapatos! Este é um texto sobre informação!

Voltemos então a um tempo quando nenhum homem sequer sonhava em dar o estranho nome de Gutemberg a um filho seu.

Algumas pessoas tinham informações. Eram poucas, e se não governavam grandes porções de terras, estavam ao lado do dono. Informação era basicamente poder!

Nasce o tal Johannes Gutemberg, e anos depois os livros passam a ser impressos, nascem os jornais, as revistas, as revistas de fofocas, as revistas pornográficas, e todos podem agora ver as curvas da vizinha de Sir Jones Sapateiro!

E inventou-se a primeira democratização das curvas da vizinha da informação!

E enfim, o famigerado advento da internet!

Agora as pessoas não somente consomem informação, mas a produzem também, as ferramentas se tornam acessíveis, o caos se instaura e o mundo é tomado por sapatos informações para todo o lado!

Com tanta informação à disposição, acontecem três coisas curiosas:

1- Algumas pessoas talentosas se destacam na multidão.
2- Os jornais e revistas não desaparecem, continuam como uma sólida fonte de informação confiável, em grande parte devido à experiência no assunto.
3- Em um mundo sedento por dados, as pessoas com informações exclusivas e valiosas se tornam mais poderosas do que nunca!
Como queríamos demonstrar, informação e sapato é a mesma coisa!

Agora vejamos por quê você precisa aprender a costurar o couro direito:

Em um mar de sapatos, o nome do fabricante se torna realmente importante. Mais do que um atestado de qualidade, estabelece um vínculo que faz você ter certeza de estar comprando realmente um sapato, e não um chinelo revestido. (Branding, alguém?)

Em um mundo que o produtor se torna tão ou mais importante que o produto, como nós aplicamos isso à mensagem? Vamos lá, acompanhem o meu raciocínio:

Sapato de Marca

1- Materiais de Ponta
2- Execução cuidadosa
3- Acabamento impecável
4- Hype, mania, fama, popularidade, ou qualquer outro nome que queira colocar aqui.

Grandes veículos de Comunicação

1- Fontes confiáveis, diversificadas e seguras
2- Estilo, execução cuidadosa
3- Acabamento, layout impecável
4- Hype, mania, fama, popularidade, ou qualquer outro nome que queira colocar aqui.

Acho que já está bem claro por quê você deve tratar a sua mensagem como um produto. Ele vai refletir a sua origem, e será a diferença entre ser ou não ser.

Fácil! Tão fácil quanto produzir um Louis Vuitton!

Autor: Rodrigo van Kampen

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